Vitamina D: muito além de uma vitamina

Provavelmente o papel mais conhecido da vitamina D é referente a regulação das concentrações sanguíneas de fosfato e cálcio, além do controle da renovação óssea. Essa vitamina pode ser encontrada em vários outros tecidos, além dos rins, sendo que estudos mais recentes sobre os receptores dessa vitamina e a enzima responsável pela sua ativação (CYP27B1), indicam uma acumulação de diversas evidências apontando que essa vitamina é muito mais do que isso, podendo atuar de forma autócrina (na célula em si) ou parácrina (em células vizinhas) em vários órgãos. Logo, a ciência indica o papel da vitamina D em diferentes sistemas.



A relação entre a vitamina D e o sistema imune inato

Primeiramente, precisamos recordar que o sistema imune pode ser dividido em inato e adaptativo. Nesse contexto, o inato representa a primeira defesa contra infecções, tendo um papel de lutar rapidamente contra os patógenos invasores. Agora, pensando sobre a vitamina D, podemos caracterizá-la como uma reguladora desse sistema inato, potencializando as células imunes pelo aumento da ação antimicrobiana, da quimiotaxia e autofagia. Além disso, a vitamina D pode melhorar a função de barreira física das células epiteliais, como a córnea e a barreira intestinal. Ademais, é interessante notar que quando exposto a patógenos, os monócitos elevam sua expressão da enzima CYP27B1 e do receptor de vitamina D. Por fim, alguns estudos mostram uma maior predisposição à infecções em pessoas com baixos níveis de vitamina D.


A influência da Vitamina D na saúde cardiovascular

Além de apresentar um potencial sobre o sistema imune, a vitamina D pode ter efeito sobre as células cardiovasculares. Nesse cenário, essas células também expressam o receptor e a enzima responsável pela ativação dessa vitamina. Assim, há um papel sobre a função endotelial e hemostasia vascular, promovendo efeitos vasodilatadores, envolvendo o aumento da produção de óxido nítrico. Além disso, a vitamina D mostrou-se estar envolvida na melhora da contratilidade e relaxamento cardíaco. Entretanto, são necessários mais estudos para a comprovação desses efeitos, principalmente em protocolos de longa duração.


O papel sobre o músculo esquelético

Saindo agora de uma área clínica para a esportiva, a vitamina D também apresenta um papel sobre o tecido muscular, graças à grande quantidade de receptores ali presente. Desse modo, ao ser reconhecida, há ativação de um fator de transcrição responsável por aumentar a síntese de proteínas. Ademais, observa-se que essa via influencia a proliferação, diferenciação e regeneração das células musculares, além da inibição de apoptose. Além disso, essa vitamina está relacionada indiretamente com a modulação da contratilidade muscular, visto que quando ligada ao seu receptor, há um influxo de íons de cálcio na célula. Por outro lado, a deficiência de vitamina D pode contribuir para a atrofia das fibras musculares do tipo II, sendo observado principalmente em idosos.


Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, segue algumas sugestões de leitura:

Artigo:

Vitamin D: Nutrient, Hormone, and Immunomodulator

Vitamin D, Skeletal Muscle Function and Athletic Performance in Athletes—A Narrative Review

Vitamin D and cardiovascular disorders


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