Suplementação de ômega 3 durante a gestação: quais os benefícios?


Os ácidos graxos poli-insaturados desempenham funções importantes nos processos metabólicos e na estrutura das membranas celulares. Entre esses ácidos, se encontram os ácidos essenciais (que não podem ser sintetizados pelo organismo), sendo necessária a suplementação através da alimentação. Temos, portanto, a família do Ômega-3 (alfa-linolênico – ALA, eicosapentaenoico – EPA e docosahexaenoico – DHA) e a família Ômega-6 (ácido linoleico – LA e ácido araquidônico - AA). Esses ácidos não são produzidos endogenamente no organismo humano e de alguns animais devido à ausência de enzimas delta-12 e delta-15 dessaturases, com capacidade de inserir duplas ligações nos carbonos 3 e 6, a partir do radical metil da molécula dos ácidos carboxílicos.


A gestação é um período determinante para a saúde não apenas da mulher, mas, principalmente, do bebê. Por este motivo, é muito importante que a mãe receba uma alimentação saudável e equilibrada, incluindo os ácidos graxos poli-insaturados.


Os ácidos graxos poli-insaturados são considerados como nutriente fundamental para o perfeito desenvolvimento cerebral do bebê, tanto antes quanto após o nascimento. O Ômega-3 tem importante função na parte neurológica, formação da retina, desenvolvimento físico e cognitivo do bebê.


Os ácidos graxos Ômega-3 importantes para o ser humano são: o alfa-linolênico, o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA). O ácido alfa-linolênico é um ácido graxo (AG) pertencente à família Ômega-3, precursor dos ácidos DHA e EPA, além de ser essencial ao organismo. Esse ácido graxo é primordial para a síntese de leucotrienos, prostaglandinas e tromboxanos; possui atividades anticoagulante, anti-inflamatória, vasodilatadora e anti agregante. Podem ser encontrados em alimentos de origem vegetal (óleo de canola, óleo de linhaça, nozes e vegetais de folha verde escura). Tanto o EPA quanto o DHA são encontrados em peixes (sardinha, hadoque, cavala, salmão, arenque entre outros).


A dieta da mulher na gestação é de suma importância uma vez que o transporte do Ômega-3 se dá através da placenta, sendo depositado no cérebro e na retina do concepto. Ocorre também um acúmulo simultâneo nas glândulas mamárias durante esta fase. O depósito de DHA na retina e no córtex cerebral, em geral, no último trimestre de gestação e nos primeiros seis meses de vida intra-uterina, pode estender-se até os dois primeiros anos de vida do bebê.O fornecimento ideal de ácidos graxos é fundamental para o crescimento cerebral, principalmente, no primeiro trimestre de gravidez, período em que esse processo é maior.


A suplementação com alimentos contendo Ômega-3 na gestação pode reduzir as taxas de parto prematuro e melhorar de maneira significativa o peso do bebê ao nascer. Além disso, os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (AGPI CL) no cordão umbilical têm relação direta com o consumo destes ácidos pela mãe na gestação.


Ou seja, na gestação, período neonatal e toda a fase de crescimento do bebê, a oferta dos ácidos graxos em quantidades adequadas é de fundamental importância. O adequado aporte de Ômega-3 na gestação e no pós-natal tem influência positiva no desenvolvimento visual e no sistema nervoso do recém-nascido, influenciando também na inteligência e na intelectualidade do indivíduo na vida adulta.


Referências:

DA COSTA MARQUES, Mariana Barros; LEÃO, Paulo Roberto Dutra; DA SILVA JÚNIOR, Oacir Monteiro. Ômega 3 na gestação e seus benefícios. Femina, v. 46, n. 1, p. 54-58, 2018.


MEREY, Leila Simone Foerster et al. Ácidos graxos polinsaturados no sangue de gestantes suplementadas com ômega-3 e óleo de linhaça dourada. Interações (Campo Grande), v. 19, p. 845-853, 2018.

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