O jejum intermitente é uma estratégia válida?

Existe um debate muito grande sobre o jejum intermitente nas redes sociais, visto que essa prática é adotada por diversas pessoas. Nesse meio, o jejum intermitente é adotado principalmente por aqueles que objetivam o emagrecimento, contudo, primeiramente precisamos entender o que é de fato essa estratégia e quais são as mudanças metabólicas envolvidas.



Tipos de jejum intermitente

O jejum intermitente é uma intervenção dietética que utiliza como princípio a restrição da ingestão alimentar. Assim, há dois principais tipos a serem seguidos:

  • Jejum em dia alternativo: indivíduo permanece em jejum de 24 horas, seguidos por períodos de alimentação, assim pode-se adotar uma estratégia de 5:2 (2 dias em jejum intercalados, seguidos pos 5 dias não restritivos);

  • Jejum com restrição de tempo: inclui jejuns de algumas horas, completando o restante do dia alimentado (exemplo: jejum de 16 horas seguido pela janela alimentar de 8 horas).


Adaptações fisiológicas frente ao jejum

Após horas em jejum, ocorre uma depleção do glicogênio do fígado, o que é acompanhado por uma mudança metabólica, na qual a glicose não hepática e os corpos cetônicos derivados de gordura são usados como fonte de energia. Nesse contexto, a cetogênese acontece nos hepatócitos, utilizando o acetil-CoA como precursor, no qual foi gerado pela β- oxidação de ácidos graxos. Logo, há uma maior utilização de gordura durante esse período de jejum.

Além disso, há uma mudança na expressão gênica hepática devido a esse estado em jejum, que se associa a uma melhora do perfil lipídico. Nesse cenário, observa-se uma maior expressão de alguns fatores de transcrição, como a PGC-1α e PPARα, resultando na modulação de apolipoproteínas integrantes do HDL e LDL.


Restrição alimentar versus Déficit calórico

Como disse anteriormente, muitas pessoas adotam essa prática objetivando a perda de peso, principalmente devido à maior utilização de gordura como fonte de energia durante o período em jejum. Contudo, precisamos lembrar que o emagrecimento é um resultado do déficit calórico, sendo assim a efetividade dessa intervenção diminuída se esses indivíduos fizerem uma supercompensação calórica em poucas horas de consumo alimentar. Logo, essa prática pode sim levar ao emagrecimento, contudo, isso se deve a restrição calórica e não a estratégia em si.

Portanto, dependendo do objetivo, o jejum intermitente pode trazer benefícios, como é o exemplo da melhora do perfil lipídico. Contudo, em questões de emagrecimento, não podemos colocar essa prática acima da restrição calórica continua.

Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, segue algumas sugestões de leitura:


Artigo:

Impact of intermittent fasting on the lipid profile: Assessment associated with diet and weight loss

Intermittent Fasting: A Heart Healthy Dietary Pattern?

Fasting: Molecular Mechanisms and Clinical Applications


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