Mulheres com SOP: a berberina pode ser um “remédio”!

Atualizado: 5 de out. de 2021



Cerca de 5 a 10% das mulheres na pré-menopausa são afetadas pela síndrome do ovário policístico (SOP). Seu tratamento pode ser muito longo e geralmente tem como foco tratar os sintomas.

A disfunção ovariana causa distúrbios metabólicos e hiperandrogenismo (aumento da ação de alguns hormônios), estes devem ser neutralizados por todas as terapias e abordagens utilizadas no gerenciamento da SOP. Além de medicamentos para melhorar o estado metabólico de mulheres com SOP, é altamente recomendado uma modificação do estilo de vida associado à redução de peso, para aquelas que precisam. O objetivo de todas essas intervenções é a melhoria da regularidade da ovulação e a proteção de comorbidades associadas.

O tratamento clínico da SOP é muitas vezes uma terapia de longo prazo, e a maioria das drogas comumente usadas são anticoncepcionais orais combinados, progestógenos antiandrogênicos e drogas que estimulem a sensibilidade à insulina.

Por conta da duração da terapia, que pode durar por todo o período fértil de uma mulher e, portanto, poderia interferir em uma provável gravidez, alguns fitoterápicos passaram a ser considerados no tratamento e controle da SOP, em particular, a berberina. Este produto, extraído das plantas Berberis, se trata de um extrato alcalóide vegetal amplamente utilizado na fitoterapia chinesa contra infecções, hipercolesterolemia, diabetes tipo 2 e câncer. A berberina também parece ser eficaz contra a resistência à insulina e obesidade, particularmente atuando sobre o tecido adiposo visceral in vitro e em roedores.

A berberina é um composto fitoterápico muito promissor por conta dos poucos efeitos colaterais que pode apresentar e porque seu alvo é uma proteína quinase ativada por AMP (AMPK) comum à oxidação de ácidos graxos, geração de glicose e resistência à insulina. Pesquisadores explicaram o mecanismo de ação da berberina e depois disso, os cientistas começaram a formular hipóteses e, portanto, a usar a berberina no manejo clínico da dislipidemia, diabetes tipo 2 e obesidade, a fim de neutralizar o risco cardiovascular derivado desses distúrbios metabólicos. Além disso, graças à tolerância extrema e efeitos colaterais muito pequenos no tratamento de longo prazo, a berberina é a única planta botânica incluída nas diretrizes europeias para o tratamento da dislipidemia e é usada também em pacientes que não toleram estatinas. Se associada a um estilo de vida saudável, esta planta é capaz de melhorar a composição corporal das mulheres e causar redução dos andrógenos.

A SOP é um distúrbio endócrino-metabólico muito semelhante à síndrome metabólica; na verdade, eles têm um fator comum: a resistência à insulina. A resistência à insulina é o fator chave que pode causar obesidade e ciclos anovulatórios e, na verdade, isso deveria ser o alvo da terapia contra a SOP e Síndrome Metabólica.

Os compostos fitoterápicos são sempre usados ​​na medicina tradicional chinesa; entre eles, a berberina induz uma melhora da resistência à insulina se administrada em uma dose de 500 mg por via oral duas vezes ao dia por 6 meses, com melhora da regularidade do ciclo menstrual.

Diversos estudos realizados compararam a berberina com outras terapias farmacológicas voltadas ao tratamento de SOP, como contraceptivos orais, drogas anti-androgênicas e metformina para neutralizar o risco cardíaco associado à SOP. Foi descoberto que a berberina pode induzir uma redistribuição do tecido adiposo, reduzindo a massa de gordura visceral mesmo na ausência de perda de peso, e a sensibilidade à insulina foi melhorada semelhante à metformina (medicamento clássico usado para casos de resistência à insulina). O composto também parece melhorar o padrão lipídico em indivíduos com SOP. A berberina em mulheres com SOP também melhorou a resistência à insulina graças a um aumento da expressão de GLUT4 nos ovários com uma melhora da taxa de ovulação por ciclo; então, ela também é eficaz na fertilidade e nas taxas de nascidos vivos em mulheres afetados pela SOP. Finalmente, a literatura científica fornece um grande número de estudos que relataram segurança e tolerabilidade no tratamento de longo prazo com berberina em humanos.


Em conclusão, o uso de berberina em mulheres com SOP é muito promissor. De qualquer forma, ressalta-se a importância de sua utilização sob orientação de profissional da saúde, bem como do acompanhamento para controle da doença.


Referências

RONDANELLI, M. et al. Polycystic ovary syndrome management: a review of the possible amazing role of berberine. Archives of gynecology and obstetrics, v. 301, n. 1, p. 53-60, 2020.

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