Entenda realmente o impacto do índice glicêmico dos alimentos

Para contextualizarmos, o índice glicêmico foi criado em 1981 como uma ferramenta para as pessoas diabéticas selecionarem alimentos. Assim, esse índice fornece informações sobre a resposta glicêmica que podem ser esperadas quando consumido algum tipo de alimento. De maneira geral, essa depende da quantidade de glicose absorvida e da taxa de desaparecimento da circulação, devido à captação pelos tecidos e da regulação hepática da liberação de glicose. Mas será que esse índice é confiável?



Determinando o índice glicêmico

Para determinarmos o índice glicêmico de um alimento, é realizada a ingestão desse, e posteriormente é mensurada a glicemia durante um período de 2 horas, construindo uma curva e avaliando a resposta sobre a glicemia. Nesse cenário, utiliza-se a glicose ou o pão branco como valor de referência, apresentando um IG de 100. Assim, os alimentos são geralmente divididos em baixo (≤ 55), moderado (56 a 70) e alto (≥ 71).


O real impacto do índice glicêmico

De fato, o uso do índice glicêmico é uma ferramenta controversa, principalmente porque, em um mesmo alimento, esse pode variar entre indivíduos. Assim, mesmo que exista tabelas que forneçam um valor médio, essas não são tão úteis. Além disso, não podemos levar em consideração apenas o carboidrato em si de uma refeição. Nesse contexto, quando adicionamos pequenas quantidades de gordura em conjunto a um carboidrato de alto índice, esse é reduzido. Ademais, nem sempre um alimento considerado com alto nível glicêmico resultará em grandes respostas, devido à baixa quantidade de carboidratos. Logo, precisamos interpretar esse índice com cautela, podendo ser bastante útil se entendermos os componentes que o influencia.


O conceito de carga glicêmica

Já que o índice glicêmico pode apresentar viés, criou-se o conceito de carga glicêmica. Esse termo fornece dados mais completos, baseando-se no valor do índice glicêmico e na quantidade de alimento que é normalmente consumida. Assim, podemos usar como o exemplo a melancia, um alimento que possui um alto índice glicêmico, mas apresenta baixa concentração de carboidratos em uma porção, o que torna a carga glicêmica baixa. Logo, nota-se que não podemos subestimar o índice de acordo com o resultado da carga.

Desse modo, mesmo apresentando alguns vieses, esses métodos são importantes para, principalmente a população, utilizar como base. Entretanto, é necessário conhecer a teoria para não errar na prática.

Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, seguem algumas sugestões de leitura:


Artigo:

Relevance of the Glycemic Index and Glycemic Load for Body Weight, Diabetes, and Cardiovascular Disease

The Effect of Dietary Glycaemic Index on Glycaemia in Patients with Type 2 Diabetes: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trial

Glycemic index, glycemic load and glycemic response: An International Scientific Consensus Summit from the International Carbohydrate Quality Consortium (ICQC)


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