Como está a sua vitamina D?


O hormônio esteroide calcitriol é popularmente conhecido como vitamina D e tem importante papel no corpo humano, principalmente na absorção de cálcio e no metabolismo ósseo. É constituída por duas formas bioequivalentes: a vitamina D2 também conhecida como ergocalciferol, obtida de fontes vegetais da alimentação, e suplementos orais; e a vitamina D3 ou colecalciferol, obtida principalmente a partir de exposição da pele à radiação ultravioleta B (UVB) presente na luz solar e pela ingestão de alimentos, tais como fontes de óleo de peixe e alimentos fortificados variavelmente (leite, sumos, margarinas, iogurtes, cereais e soja) e suplementos orais.


Seus níveis séricos considerados satisfatórios vão de 25 a 80 ng/mL séricos. Valores abaixo de 20 ng/mL resultam em hipovitaminose D. Para se atingir valores adequados, é necessária a exposição solar com duração média de 15 minutos por dia no momento da emissão de RUVB. Entretanto, outros fatores também influenciam os níveis séricos de vitamina D, como a hora do dia em que há exposição ao sol, estação do ano, latitude, altitude, vestimentas, uso ou não de proteção solar, pigmentação da pele e idade, além do estado nutricional da pessoa.

A síntese endógena da vitamina D inicia-se nas camadas profundas da epiderme, onde o precursor 7-DHC está armazenado na camada lipídica das membranas celulares. A radiação ultravioleta B promove a fotólise do 7-DHC levando à formação de uma molécula secosteroide, a pré-vitamina D3. Esta é termoinstável e sofre reação de isomerização induzida pelo calor, convertendo-se na vitamina D3. Ao atingir o fígado, as vitaminas D2 e D3 sofrem hidroxilação pelo citocromo P450 e dão origem à 25-hidroxivitamina D, que é a forma predominante na circulação. No sangue, cerca de 85 a 90% da 25-hidroxivitamina D se encontra ligada à proteína ligadora de vitamina D (DBP), 10 a 15% se encontra ligada à albumina e o restante, menos de 1%, circula na forma livre. Ao atingir os tecidos-alvos, a 25-hidroxivitamina D é convertida pela enzima 1α-hidroxilase em 1α 25- di-hidroxivitamina D, que é a forma metabolicamente ativa da vitamina.


Alguns fatores de risco para a hipovitaminose D estão relacionados com a exposição solar, hábitos alimentares e absorção intestinal. Assim, destacam-se: estilo de vida indoor (privação de sol), uso de protetores solares, idade avançada, pele negra, poluição do ar, tabagismo, má-absorção alimentar (síndromes disabsortivas), medicamentos (anticonvulsivantes, glicocorticóides) e doença renal e hepática.


As consequências da deficiência de vitamina D podem ser agrupadas em 2 grupos gerais: esqueléticas (osteopenia, malformação osteoarticular, osteoporose) e não esqueléticas (aumento dos indicadores de inflamação, piora na resposta imunológica, Piora no prognóstico de doenças envolvendo mecanismos inflamatórios, Na gestação: relacionada a pré-eclâmpsia e vaginose bacteriana).


A recomendação diária da vitamina D é difícil de ser estabelecida com exatidão, devido ao seu metabolismo, pois além de ser produzida endogenamente, ela pode ser armazenada além das necessidades do consumo dietético, que depende dos níveis de fósforo e cálcio.

As principais fontes dietéticas de vitamina D são os alimentos ricos em ômega-3, como peixes de águas profundas (salmão, atum, bagre), sucos cítricos, cereais, fígado, gema de ovo e alimentos fortificados como manteiga.

Atualmente, a suplementação está disponível em forma oral na forma de vitamina D2 (ergocalciferol) e vitamina D3 (colecalciferol), sendo esta mais potente, pois é responsável pela conversão do hormônio sob efeito da radiação ultravioleta.

Quanto à dosagem da suplementação, é relevante considerar que as mesmas também variam de acordo com a localização geográfica, clima, alimentos locais e perfil populacional de cada país.

Referências:

JORGE, Antonio José Lagoeiro et al. Deficiência da Vitamina D e doenças cardiovasculares. International Journal of Cardiovascular Sciences, v. 31, p. 422-432, 2018.


RODRIGUES, Bráulio Brandão et al. Vitamina D na regulação do organismo humano e implicações de sua deficiência corporal. Brazilian Journal of Health Review, v. 2, n. 5, p. 4682-4692, 2019.

LACERDA, MIPB et al. Alimentação, fotoexposição e suplementação: influência nos níveis séricos de vitamina D. Revista Médica de Minas Gerais, v. 25, n. 3, p. 432-437, 2015.

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